Rating Soberano – O que é? Como se determina?

Guia sobre o rating de paísesSaiba o que é o Rating Soberano e como é determinado. Aprenda mais sobre este conceito de economia para estar a parte de tudo. Melhore a sua educação financeira.

Seguindo com a série de conceitos de economia e finanças que publicamos no Negócios e Dinheiro, neste artigo vamos explicar o que é o rating soberano e como é determinado. Os ratings são classificações, que podem ser atribuídas a países, empresas, bancos e também, a ativos financeiros específicos. As três empresas mais conhecidas e seguidas pelos seus ratings são as três empresas norte-americanas Standard and Poor’s, Moody’s e Fitch. Embora existam outras que empresas reputadas, por exemplo, a IBCA, que é muito conhecida pelos seus ratings e análises dos participantes no setor financeiro, e que foi comprada pela Fitch. No entanto, também existem outras tentativas de criar agências de rating, como já foi o caso da Europa – mas acabou em nada, ou a tentativa da China em tornar credível a sua agência oficial, a Dagong Global Credit Rating Co., Ltd. Continue lendo para saber a origem destas classificações financeiras, a sua importância e metodologia.

Guia completo sobre o Rating Soberano

Originalmente, os ratings foram criados para investidores institucionais, os fundos de pensões, e as empresas de seguros, que tinham uma avaliação independente dos riscos e da qualidade do investimentos.

Ao nível da classificação, permitia que os investidores pudessem fixar um custo de financiamento e um nível de preço de capital que lhes evitava a necessidade de ter que pedir análises exaustivas independentes cada vez que considerassem a possibilidade de investir em dívida de um emissor, através da entrada no capital de uma empresa ou nas emissões de dívida de países ou regiões.

Baseado na sua credibilidade, as empresas de rating tornaram-se numa referência para os investidores para a análise de risco e do nível de qualidade das emissões de dívida e também, a qualidade dos emissores (empresas, bancos e países) pagarem de volta o dinheiro emprestado. Com o tempo, os investidores começaram a pedir esses ratings com o objetivo de ter acesso ao máximo de informação e poder decidir sobre o investimento.

Importância do rating para investidores

O objetivo é conseguir um rating alto. Primeiro, com uma classificação alta, as empresas de rating estão a declarar que a dívida é de qualidade e, como consequência, a sua possibilidade de pagamento é mais provável. Com esta informação, os investidores podem fixar um custo de financiamento, a rentabilidade, que exigem para cobrir os riscos da operação.

Segundo, um rating melhor amplia a quantidade de fundos de investimento que uma emissão de obrigações tem disponível para o seu investimento. Quanto maior for a classificação, maior serão os níveis de capital disponível para investir numa só emissão, o que por sua vez vai diminuir o risco da empresa, banco ou país, assim como baixar os juros pagos pelo empréstimo.

Metodologia dos rating soberanos

Embora as três grandes agências de rating tenham a sua própria metodologia de fixação do rating, esta metodologia é muito similar entre ambas, por isso apenas vamos falar sobre a metodologia da Standard and Poor’s (PDF), como exemplo sobre como é feita a classificação das emissões de dívida soberanas. Abaixo fica um esquema com a metodologia utilizada.

Resumo da metodologia para classificação do Rating Soberano - Standard & Poor's

Resumo da metodologia para classificação do Rating Soberano – Standard & Poor’s

Os cinco pontos-chave que formam o fundamento do estabelecimento de um rating soberano, resumidos no fluxograma disponível acima, são os seguintes:

  1. Eficácia institucional e riscos políticos, refletidos na pontuação política, incluindo os riscos de instabilidade política, os impactos económicos e sociais sobre a situação política e as relações entre as instituições políticas e organizações multilaterais e supranacionais.
  2. A estrutura económica e perspectivas de crescimento, refletidas na pontuação económica.
  3. A liquidez externa e a posição líquida de investimento internacional, refletida na pontuação externa, incluído na análise e fixação de riscos contingentes e da disponibilidade de financiamento e apoio financeiro de organizações multilaterais e supranacionais.
  4. Desempenho e flexibilidade fiscal, somada ao peso da dívida, o imposto tem importância na pontuação.
  5. A flexibilidade monetária é refletida na pontuação monetária.

Cada um destes parâmetros é fixado com base numa pontuação de 1 a 6, de acordo com diversos fatores quantitativos, qualitativos, políticos e económicos. Estas diferentes pontuações são combinadas para determinar o rating.

Quando se estabelece um rating, as agências têm em conta se existe uma perspetiva de tendência negativa, que é quando estimam que o movimento mais provável será a redução do rating, ou uma perspetiva positiva, que é quando estimam que o movimento seguinte mais provável é a subida do rating.

Investment Grade ou Junk bonds

Uma classificação importante é o que se denomina por rating Investment Grade, ou de grau mínimo de qualidade do investimento. No caso da Standard and Poor’s, o nível mínimo de Investment Grade é BBB-, mesmo acima do BB+, quando se converte em Junk bond ou obrigações lixo, onde o risco de pagamento dos juros e do dinheiro emprestado é bastante questionável. Está claro que as obrigações que baixam do nível de lixo recebem margens de risco, custos financeiros e rentabilidades muito mais altas que as outras classificações.